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Dra. Bete Russo
NOTA: Este artigo foi desenvolvido para apresentação do meu TCC (Tese de Conclusão do Curso) da minha Pós Graduação em Nutrição Clínica Funcional). Familiares com Alzheimer despertaram o interesse ao tema e me fizeram perceber o quão relevante hoje a intervenção nutricional faz a diferença na nossa saúde. É fundamental conhecermos as propriedades nutricionais dos alimentos, pois são os nutrientes, que muitas vezes irão melhorar a causa de muitas doenças. Vale ressaltar o cuidado que temos ter ao tomar medicamento pois muitas vezes eles podem mascarar os sinais e sintomas aumentando a intoxicação.
Optar por estes nutrientes que destaco no artigo, apresentam um importante efeito metabólico para ativar fortemente os seus neurônios!
Boa Conexão!
Nutrientes neuroprotetores relacionados à memória
RESUMO
O aumento da performance cognitiva através da intervenção nutricional tem impulsionado diversas investigações em relação ao potencial de ação de alguns nutracêuticos responsáveis pela prevenção da neurodegeneração. O declínio cognitivo é influenciado pela interação entre genética, meio ambiente, estilo de vida, alimentação, metabolismo e o envelhecimento; fatores estes que podem melhorar ou prejudicar a memória e cognição. Fatores internos como alterações do cortisol, alterações estrogênicas, disbiose intestinal, estresses oxidativo, hipoglicemia, níveis baixos de mastigação, níveis elevados de homocisteína e privação do sono e fatores externos como bebida alcoólica, estresse emocional, gordura trans, hiperglicemia, medicamento, metais tóxicos, sedentarismo, xenobióticos e excitotóxicos podem ser modulados por fitoquímicos (rosmarinus officinalis L, bacopa monniera, centelha asiática, chlorella, ginkgo biloba, panax ginseng, hibisco, huperzine serrata, rodhiola rósea, vitis vinifera), ácido docosahexaenoico (DHA); flavonóides (quercetina, curcumina, ácido ferúlico, ácido elágico, ácido lipóico, fisetina); minerais (magnésio, zinco, fósforo) e vitaminas antioxidantes como (vitaminas como COq10, idebebona, fofatidilcolina, fosfatidilserina, B1, B6, B9, B12 e vitamina D e aminoácidos como (acetil L carnitina, L taurina, L teanina) e uridina 5 monofosfato. Estas substâncias envolvidas no mecanismo eletrofisiológico da consolidação da memória decorrente da deficiência ou excesso de neurotransmissores cerebrais, comprometem a plasticidade sináptica responsável pelos quadros leves de perda ou falha de memória e quadros graves onde ocorre apoptose ou morte neuronal levando a amnésia irreversível como nos quadros das doenças neurodegenerativas, especificamente o Alzheimer.
Palavras-chave: memória, cognição, Alzheimer, compostos bioativos, fitoterápicos
EPIDEMIOLOGIA
No âmbito da saúde mental, dados epidemiológicos desafiam a ciência de modo a quantificar o diagnóstico da população com declínio cognitivo daqueles portadores de demências, pois estas já representam um problema de saúde pública crescente e são uma das causas mais importantes de morbi-mortalidade (CARRETA, 2012).
O processo do declínio cognitivo é bastante complexo por não possuir um marcador biofisiológico de seu início, porém é importantíssimo avaliar os sinais e sintomas do indivíduo e saber distinguir a senescência (resultado de alterações orgânicas funcionais e psicológicas própria do envelhecimento normal) da senilidade (caracterizada por modificações determinadas por afecções que frequentemente acomete o idoso), ou seja, é preciso diferenciar o envelhecimento normal do patológico para que as intervenções sejam adequadas e mais eficazes(CIOSAK , S et al ,2011)
Assim, é necessário novas investigações, pois apenas o déficit de memória é insuficiente para classificação epidemiológica. O National Institute of Neurologic Communicative Disorders and Stroke – Alzheimer disease and related disorders association (NINCDS –ADRDA) (NETO), refere que o diagnóstico do declínio cognitivo deve ser clínico, comprovado por testes neuropsicológicos, sendo que exames laboratoriais e de imagem (tomografia por emissão de pósitrons ou a ressonância magnética funcional) (MONTANÕ M.B. 2009) (EDUCERE,2009) são úteis para diagnóstico etiológico da demência (APA,1994;OMS,1993).
INTRODUÇÃO
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), as doenças mentais (síndromes de ansiedade como distúrbio do estresse pós traumático, síndrome do pânico, distúrbios alimentares, déficit de atenção, autismo, depressão, distúrbio bipolar, esquizofrenia e distúrbio obsessivo – compulsivo) estão entre as maiores causas de incapacidade do mundo atual. (LAKHAN; VIEIRA, 2008)
Os processos neurodegenerativos têm aumentado progressivamente, mas, com uma velocidade maior que o limite adaptativo neurofisiológico esteja preparado para enfrentar, e isso têm evidenciado o aparecimento cada vez maior do declínio cognitivo relacionado à perda de memória tanto nos adultos e idosos, mas principalmente nos jovens e crianças. O declínio cognitivo não é mais típico da terceira idade e atualmente os distúrbios mentais é mais comum no adulto jovem do que no adulto mais velho (IRANI, 2006). Ocorre que, atualmente, o uso intensivo de plataformas digitais e o excesso de informações mudaram os hábitos de vida da população. Se por um lado essa mudança pode ser benéfica, pois melhora a plasticidade sináptica e performance neuronal, por outro lado, não se sabe ainda se pode causar um efeito reverso provocando falhas no processo de consolidação da memória, ou seja, um efeito amnésico (KANDEL, 2002).
Este artigo tem como finalidade estudar o envelhecimento cognitivo da memória e estabelecer quais são os fatores de risco que estão associados ao declínio cognitivo e quais os fatores protetores que possam atuar como neuroprotetores (ARGIMON, 2006; 2008).
DESENVOLVIMENTO
O termo envelhecimento cerebral ativo, ou longevidade saudável traduz o processo de danos cerebrais de menor intensidade, onde as funções nobres do cérebro como afetividade, personalidade, conduta e memória possam ser preservadas através da prevenção de fatores de risco responsáveis pela funcionalidade normal do sistema nervoso central.
Essas mudanças geram um estado de carência nutricional que afeta especificamente o hipocampo cerebral onde ocorre o armazenamento das informações. Esse desequilíbrio pode ser decorrente tanto de causas internas (disbiose intestinal, alterações laboratoriais de cortisol e homocisteína, deficiência de neurotransmissores, diminuição de estrogênio, hipoglicemia, e toxicidade de metal pesado – chumbo) ou externas (stress crônico, ingestão de medicamentos, uso abusivo de bebida alcoólica, fumo, sedentarismo, aumento da ingestão de gordura Trans).
A associação da intervenção prévia da nutrição associada a causas correlatas do comprometimento da memória constitui importante medida preventiva para evitar que pequenos lapsos e/ou perdas de memória diagnosticadas como normais possam evoluir para um quadro de esquecimento irreversível, incurável e intratável.
Antigamente, acreditava-se que as doenças neurológicas como Alzheimer e Parkinson e lesões como acidente vascular resultavam na perda permanente de neurônios sem qualquer possibilidade de regeneração celular. Hoje, já se sabe que algumas regiões do encéfalo (zona subventricular dos ventrículos laterais e a zona subgranular do giro denteado do hipocampo) são capazes de gerar neurônios novos por toda a vida adulta de mamíferos (FERREIRA 2011) SILVA, 2001; AZIZI e VENDRAME, 2007; ZHAO et al, 2008).
O BDNF (Brain Derived Neurotrofic Factor) localizado no hipocampo é um fator neurotrófico, ou seja, é uma proteína fabricada pelo neurônio que ajuda a potencializar o crescimento, diferenciação e reparo das sinapses aumentando a sobrevida dos neurônios (COPRAY et al 2000; HELSINKI, 2008).O BNDF é produzido durante toda a vida para preservar o aprendizado e memória. Assim, um nível elevado de BNDF pode estar associado a um bom funcionamento cerebral e por outro lado uma diminuição do BDNF tem sido associado ao diagnóstico das doenças neurodegenerativas. (KA LOK CHANA, 2008)
Como o hipocampo está relacionado com novas memórias, evidências indicam que fatores neurotróficos derivado do cérebro, possam estar relacionados com novas células cerebrais, denominando o processo de neurogênese (induz a produção de novos neurônios responsáveis em deter as degenerações). (FRANCIS, 2006; FERREIRA A., 2011; RUGGIERO 2011)
E novos estudos investigatórios, tanto de neurogênese como dos nutrientes neuroprotetores responsáveis pela preservação da capacidade cognitiva e estimulantes das conexões entre as sinapses neuronais, têm descoberto que por meio das intervenções nutricionais seja possível otimizar a regeneração das células cerebrais através da ingestão de compostos bioativos, fitoquímicos e substâncias antioxidantes que melhorem o funcionamento do sistema nervoso e aumentem a liberação de neurotransmissores cerebrais responsáveis pela preservação da memória. (PASCHOAL, 2001; RITCHER ET AL., 2011).
A associação das concentrações dos neurotransmissores no cérebro é influenciada pela dieta, melhorando os quadros de comprometimento da memória. Os neurotransmissores são substâncias encontradas nos neurônios que quando liberados transmitem sinais através das sinapses para outros neurônios no cérebro.
O glutamato (L-Glu) é um dos principais neurotransmissores excitatórios do sistema nervoso central (SNC), exercendo um papel crucial ao mecanismo da plasticidade sináptica. O seu nível normal está associado à cognição e memória (RUGGIERO, 2011); porém o seu excesso pode causar excitotoxidade devido a uma prolongada ou forte ativação dos neurônios pós – sinápticos que ativam excessivamente os receptores NMDA gerando um acúmulo na concentração de glutamato na fenda sináptica e consequentemente uma maior concentração de cálcio intracelular gerando lise e morte celular (PRADO M et al 2007). A fisiopatologia do glutamato, portanto está diretamente relacionado às doenças neurodegenerativas. (CARDOSO, 2003; JEAN L. et al, 2009; RUGGIERO R.N. et al, 2011).
A dopamina sintetizada a partir dos aminoácidos fenilalanina e tirosina. Precisa da vitamina C, vitamina B6, ferro, magnésio, manganês, cobre, zinco e ácido fólico para essa formação. O declínio da concentração cerebral de dopamina é um fator que contribui para a doença de Parkinson, enquanto que o aumento da concentração desse neurotransmissor afeta o desenvolvimento da esquizofrenia e transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDHA) (CARREIRO, 2012).
Fenilalanina → tirosina → L DOPA → dopamina
Cofatores: B6, B9, Mg, Mn, Ferro, Cu, Zn
Fonte: Adaptado de Bear et al Neurociências: desvendando o sistema nervoso, 3 ed, 2008.
Já a acetilcolina é um neurotransmissor sintetizado a partir de nutrientes como colina, lecitina, DMAE, vitaminas C, B1, B5, B6 e minerais como zinco e cálcio, responsável pela concentração, aprendizado e memória. É neste quadro de deficiência de acetilcolina que acontece a doença de Alzheimer. Ocorre acúmulo da proteína β amilóide (placas e emaranhados de fibras que atrofiam e matam as células cerebrais) pela deficiência deste neurotransmissor no cérebro. Em condições normais a proteína β amilóide não é tóxica para os neurônios, mas o acúmulo elevado dos emaranhados são potencialmente neurotóxicos. Ocorre uma ativação descontrolada aos receptores NMDA comprometendo a consolidação da memória (PRADO M et al 2007; ANDRADE et al 2012).
FISIOLOGIA DA MEMÓRIA
Entender os mecanismos de funcionamento da memória humana constitui um dos grandes desafios da ciência moderna.
De acordo com os pontos de vista atuais, a memória não está localizada em uma estrutura isolada no cérebro; ela é um fenômeno biológico e psicológico envolvendo uma rede de sistemas cerebrais que funcionam juntos (córtex pré frontal, lobo temporal, tálamo, hipotálamo, hipocampo e amígdala) onde ela é armazenada, evocada, consolidada ou esquecida (INGUI, 2011).
Ninguém sabe exatamente em que partes do cérebro as informações são armazenadas, mas tudo indica que o processo é coordenado pelo hipocampo e pela amígdala. Já a amígdala está ligada as lembranças mais fortes que existem: as memórias emocionais, garantindo que nos lembremos de informações sobre ameaças ou eventos traumáticos, já que essas recordações podem ser vitais para a sobrevivência (IZQUIERDO, 2002; 2007).
Fisiologicamente, a memória é um processo extremamente complexa envolvendo uma série de reações químicas e circuitos interligados de neurônios dependente da transmissão de informações por meio de neurotransmissores que atingem outras células nervosas através de ligações denominadas sinapses, onde este potencial sináptico pode acentuar ou suprimir a condução de sinais nervosos.
A essa capacidade de modificar a eficiência da transmissão de sináptica é denominada plasticidade sináptica, ou seja, representa a capacidade de adaptação do sistema nervoso às mudanças nas condições do ambiente. Seus efeitos podem envolver alterações no processamento de informações e na comunicação entre regiões cerebrais regulando os processos de formação de memória (JACOBS, 2000; RUGGIERO, 2011).
Os fenômenos da plasticidade sináptica podem ser subdivididos em duas categorias: plasticidade sináptica de curta duração e de longa duração. (Gyton, 1998; 2000 medicina geriátrica)
A plasticidade sináptica de curta duração (até 10 segundos) ocorre para informações temporárias (como por ex: guardar um número de telefone). Um padrão de atividade neural gera uma alteração na transmissão sináptica por curto período de tempo, sendo possível observar inibição ou facilitação da resposta neurônio pós – sináptico.
Já a plasticidade sináptica de longa duração por sua vez, refere-se às lembranças de toda a vida, gerando alterações que podem duram horas, dias, meses e até anos. Esta pode ser determinada pelo mecanismo de potenciação de longa duração (ou LTP Long Term Potentiation) um fenômeno associado ao aprendizado e a memória pelo qual o cérebro aprende e mantém memórias (JOCA, 2003; RUGGIERO R.N. et al, 2011). Similar a estas, a LTP pode ser gerada rapidamente e é fortalecida e prolongada por repetição de estímulos elétricos aplicado em alta frequência sobre uma determinada população de neurônios. Ocorre nas sinapses excitatórias da região denominada Cornos de Amon (CA). Constituída de 4 subdivisões, apenas duas delas CA1 e CA3 do hipocampo do giro dentado, são as regiões mais estudadas responsáveis pela consolidação da memória (RUGGIERO et al, 2011).
Para a memória de curto prazo ser convertida em memória de longo prazo, ela precisa ser consolidada, isto é, precisa ser ativada repetidamente para provocar mudança química, física e anatômica das sinapses. A repetição aumenta a transferência da memória de curto para longo prazo. Daí dizer que para manter as sinapses ativas é preciso exercitá-la. “Use-a ou perca-a” segui a regra do princípio da lei do uso e desuso que modula o funcionamento futuro de nosso cérebro. (GYTON, 2006).
Neurogênese
Pesquisas recentes indicam a transição de uma década voltada à investigação dos mistérios do funcionamento do cérebro para uma década dedicada à exploração de tratamentos para as disfunções cerebrais (FERREIRA A, 2011)
Para muitos pesquisadores, entre eles Kandel, 2000, a melhor maneira de estabelecer uma ajustada conexão entre neurônios seria a manipulação da proteína CREB que é um fator de transcrição responsável em ativar a transformação de genes em proteínas para produzir LTP (long term potentiation), mecanismo este essencial para a modulação da sinapse, plasticidade sináptica e consolidação da memória (KANDEL,2000)
J á Lynch (pesquisador de fármacos para a memória) defende o aumento da ativação de receptores AMPA para produzir o fortalecimento das conexões entre os neurônios tornando mais ativos os receptores através da fosforilação (por ex. adicionando grupos fosfato a fim de tornar mais ativos os receptores) ou aumentando a vida útil desses receptores para evitar a sua degradação.
Outros pesquisadores como Isquierdo 2002; Bottino Laks & Blay 2007, testaram o uso de drogas anticolinesterásicas ou de bloqueadores de receptores de NMDA, porém até agora não tiveram muito sucesso (PRADO M et al 2007)
A pesquisa de Knafo et al (ANO)provou que a plasticidade sináptica pode ser formulada farmacologicamente com a finalidade de melhorar os fenômenos bioquímicos e genéticos nas etapas da formação da memória.
Fatores Internos e Externos relacionados à memória
FATORES INTERNOS
- Alterações laboratoriais de cortisol. Neurologicamente há evidências que o estresse é um importante fator na diminuição da neurogênese e comprometimento da memória. (SCORZA E COL 2005; BALLONE, 2008).
- Alterações estrogênicas. Tanto as mulheres na perimenopausa e menopausa quanto os homens na andropausa, referem declínio cognitivo neste período de transição. Estudos epidemiológicos evidenciam que os andrógenos e os estrógenos têm um papel protetor contra a neurodegeneração (JANOWSKY et al.,2000; NICHOLLS, 2001). O estrogênio reduz glutamato e β amilóide e aumenta a atividade da acetilcolina atuando como um potente preservador da memória apresenta, portanto uma ação neuroprotetora prevenindo o dano causado pela proteína β amilóide (SHEPHERD, 2001; CARDOSO, 2003). Muitos pacientes observaram melhora dos domínios declarativos e processuais sob tratamento de reposição hormonal (NICHOLLS, 2001; Tan et al.,2003). Fitoestrógenos como Cimicifuga rancemosa, soja, isoflavonas, blueberry, inhame, semente de linhaça podem respalda o preparo nutricional para a menopausa (CARDOSO,2003)
- Disbiose intestinal. A integridade da parede intestinal é responsável pela permeabilidade da mucosa que determina a capacidade de selecionar o que deve e o que não deve entrar no organismo. Uma vez que a mucosa produz neurotransmissores cerebrais, é responsável pela absorção de vitaminas, minerais, demais nutrientes e absorção de metais tóxicos, conclui-se que a microbiota saudável é essencial para manter um bom funcionamento cerebral. (CARREIRO, 2012).
- Homocisteína. É um aminoácido derivado da metionina proveniente da dieta rica em proteína. Fatores fisiológicos (sexo e idade), genéticos, nutricionais, induzidos por drogas e hormônios alteram os níveis de homocisteína plasmática. A hiperhomocisteína é um importante fator de risco para as doenças neurodegenerativas, pois a lesão do endotélio vascular, a adesividade plaquetária, o aumento da deposição de LDL na parede vascular aumentam o risco de acidente vascular cerebral (AVC).A terapêutica com suplemento de ácido fólico, vitamina B6 e vitamina B12 têm se mostrado eficiente para reduzir os níveis de Homocisteína plasmática (B. STURTZEL,2009) A patogenia da homocisteína é, portanto pró aterogênica e pró trombótica podendo ter um efeito neurotóxico direto como alteração das funções cognitivas e distúrbios da memória (SACHDEV, 2004; ZAMBERLAN e KERPERS, 2007). Os valores de referência para homocisteína é plasmática é 16mmol/l (6 -12mmol/l para mulheres e 8 -14mmol/l para homens). É considerada moderada para valores entre 16 -30mmmol/l, intermediária para valores entre 30-100mmol/l e severa para valores maiores que 100mmol/l (NEVES, L B et al, 2004; JACQUELINE S.M. et al, 2006)
- Hipoglicemia. Hipometabolismo de glicose cerebral está relacionado a níveis reduzidos de insulina, baixa expressão dos receptores e deficiência na sinalização de insulina, que juntamente com alterações de tiamina podem resultar em degeneração neuronal e déficits cognitivos.
- Mastigação. A redução da atividade mastigatória está relacionada à diminuição da excitabilidade dos receptores sensorial do SNC, podendo provocar modificações neuroanatômicas nas vias de informação alterando o trabalho neural do encéfalo. Dessa forma, a diminuição da mastigação está relacionada à disfunção de aprendizagem e memória. (ONOZUKA, M 1999; YAMAMOTO T 2001; TERESAWA H, 2002; MIURA, 2003; TAKADA T 2004)
- Privação do sono. A falta de sono está diretamente relacionada ao prejuízo da memória de curto prazo, diminuição da capacidade de concentração, aumento de distração e erro por omissão, alterações metabólicas, endócrinas e quadros hipertensivos. NAITOH, 2008 sugere o cochilo como poder recuperativo para os prejuízos da vigília ou insônia.
- Stress oxidativo. A formação de radicais livres nas células cerebrais é uma dos maiores responsáveis pelo declínio cognitivo. Estes provocam retração dos dendritos e o desaparecimento das sinapses, o que reduz a capacidade de comunicação entre as células danificando o funcionamento mental. (CARDOSO, 2003). O aumento das citocinas pró – inflamatórias estão envolvidas em uma série de doenças inflamatórias, neoplásicas e degenerativas (MALEK- AHMADI, 2004). Portanto a melhor maneira de evitar e/ou reverter os déficits cerebrais, é fornecer ao cérebro mais antioxidante, a fim de neutralizar a ação dos radicais livres destrutivos (RIJK et al, 1997, MULERO J.et al,2011; SILVA W J,2011).
FATORES EXTERNOS
- Bebida alcoólica. O consumo leve a moderado de vinho devido à presença de polifenol como o resveratrol e cerveja devido ao silício podem ser neuroprotetores para evitar a excitotoxidade. Em contrapartida o consumo excessivo pode levar ao alcoolismo que é um dos fatores que mais afeta a memória especialmente a memória de curta duração, o que prejudica a habilidade de reter novas informações. (cerebromente.org). Álcool, hipertensão arterial, diabetes, fumo e o engajamento em atividades físicas são eventos e comportamentos de saúde que estão associados ao desenvolvimento de demência e que são potencialmente modificáveis (SCALCO; VAN REEKUM; BAZARELLA, 2006).
- Consumo de Gordura. Os níveis elevados de gorduras saturadas e hidrogenada (sorvete, batata frita, salgadinho de pacote, pastelaria, bolo, biscoito, gordura hidrogenada e margarinas), aliados ao estresse psicológico e deficiência de zinco na alimentação inibem a atividade da enzima delta – 6 – desaturase, impedindo o cérebro de produzir gorduras cerebrais vitais. Desta forma, o consumo de gorduras nocivas pode ser mais um fator de risco para o aumento das doenças neurológicas e consequente do comprometimento do aprendizado e memória (CARPER, 2000; COLLISON, 2009; DEVORE, 2009; CARREIRO, 2012).
- Estresse Psicológico. A exposição a estressores significantes induz remodelamento dendrítico em células piramidais hipocampais e diminuição da neurogênese no giro dentado do hipocampo em animais de laboratório (JOCA, 2003). No stress agudo, o efeito é benéfico na aquisição e consolidação da memória, por aumentar glicocorticóide, estimular noradrenalina aumentando a consolidação da memória, mas no stress crônico pode ser prejudicial, por induzir a neurotoxicidade, provocar privação do sono, diminuir acetilcolina, aumentar catecolomina, comprometendo a sua consolidação (CARDOSO, 2003; ROOZENDAAL, 2009; QUERVAIN, 2009). Provoca o esgotamento do cérebro gerando o encolhimento do hipocampo e provocando o esquecimento.
- Hiperglicemia. Níveis altos de açúcar no sangue, assim como a ingestão de grandes quantidades de açúcar, podem prejudicar o cérebro provocando reações de glicação (proteínas anormais glicosiladas). Este processo de glicosilação avançada (AGEs, do inglês Advanced Glycation End Products) é um dos responsáveis pela destruição das células cerebrais que levam a doenças neurodegenerativas, e até mesmo a perda de memória relacionada ao envelhecimento (KOROL, 1998). Os efeitos patológicos dos AGES estão relacionados à capacidade destes compostos de modificar as propriedades químicas e funcionais de diversas estruturas biológicas. A partir da geração de radicais livres, da formação de ligações cruzadas com proteínas ou de interações com receptores celulares, os AGES promovem, respectivamente estresse oxidativo, alterações morfofuncionais e aumento da expressão de mediadores inflamatórios. (GOLDEBERG, 2004; KALOUSOVÁ, 2006 BARBOSA, 2008). Alguns pesquisadores afirmam que a sobrecarga de açúcar provoca a hiperinsulinemia, levando a hipertensão, com implicações significativas para derrame, disfunção cerebral e acúmulo da proteína beta amilóide no cérebro (BOSCO, 2011 MURRAY, 2011).
- Ingestão de medicamento. Medicamentos com ação depressora do sistema nervoso apresentam como reação adversa maior dificuldades com a memória. Nesta categoria, os benzodiazepínicos, os antipsicóticos, hipotensores, relaxantes musculares, alguns vasodilatadores dentre outros, induzem uma diminuição do estado de alerta ou mesmo sonolência, fatores que interferem muito na aquisição e consolidação da memória. Importante lembrar que o uso indiscriminado (prescrito e/ou automedicado) pode causar sérias complicações e eventos colaterais que comprometem a capacidade cognitiva, bem como, o equilíbrio da microbiota intestinal (BITTENCOURT, 2008). Vale observar a associação medicamento – medicamento, medicamento – álcool e medicamento – dieta para que não haja comprometimento da biodisponbilidade dos nutrientes (RENAME,2010). O hibisco (hibiscus sabdariffa) pode ter uma ação antioxidante de drogas fase II, tanto in vitro como in vivo tendo portanto uma ação desintoxicante (AJIBOYE T O, 2011).
- Sedentarismo. Diversas evidências mostram que exercícios físicos independente da modalidade, promove melhora no aprendizado, na memória e na plasticidade do sistema nervoso (LAMBERT et al, 2005; MOLTENIi et al, 2004, VAYNMAN et al 2004), sendo também responsável em aumentar a vascularização cerebral (SWAIN et al) e atenuar no declínio mental decorrente do envelhecimento (LAURIN et al 2001). Após atividade física, processos como a neurogênese, níveis de BDNF (Brain Derived Neurotrofic Factor), complexidade dendrítica e a sinaptogênese no giro dentado encontram-se aumentados (PRAAG et al,2002; EADIE et al, 2005; REDILA e CHRISTIE 2006, KA lOK CHANA et al, 2008). Portanto, a atividade física é relevante para prevenir doenças neurodegenerativas relacionadas ao envelhecimento (Mattson, 2000). As recomendações para esta prática são de um mínimo de 30 minutos de exercício físico moderado na maioria dos dias da semana (US Departamento of Health and Human Services, 2000; Center for Disease Control and Prevention, 2003).
- Xenobióticos e Excitotoxinas. Xenobióticos. Todas as substâncias que foram produzidas durante o metabolismo que não serão mais necessárias, assim como qualquer substância estranha ao organismo (xenobiótico) que possa lhe causar danos, precisam ser excretadas, pois são neurotóxicas. Poluentes do ar, metais tóxicos (alumínio) agrotóxicos, aditivos alimentares, Bifenilas Policloradas (PCBs), benzenos, ftalatos, bifenóis, medicamento e produtos químicos de uso doméstico e contaminantes ambientais de origem industrial. Excitotoxinas. Existem algumas substâncias utilizadas como aditivos e componentes de produtos alimentícios de consumo diário que possuem uma capacidade excitotóxica chamadas de excitotoxinas. Os principais produtos excitotóxicos são derivados do glutamato monossódico e aspartame. As excitotoxinas, quando presentes no cérebro em maior quantidade, podem provocar uma ação nos receptores dos neurônios fazendo com que permaneçam excitados levando a esta célula a um processo de exaustão que ocasiona a sua morte. As excitotoxinas também afetam a percepção sensorial, memória, orientação no tempo e espaço, cognição e habilidades motoras. Os efeitos das excitotoxinas são cumulativos ao longo dos anos e são particularmente lesivos em criança, pois sua defesa hematoencefálica e o cérebro ainda estão em formação. Na terceira idade as excitotoxinas também são motivo de preocupação pelo seu efeito cumulativo e neurotóxico podendo causar o aparecimento de muitas doenças neurológicas como Mal de Parkinson, Huntington, Esclerose Lateral Aminiotrófica e Doença de Alzheimer. Quanto mais substâncias estranhas ao organismo forem absorvidas, e quanto menos houver suporte nutricional adequado, maiores as possibilidades de intoxicação orgânica e conseqüente desequilíbrios neuronais (RUGGIERO R.N. et al, 2011; CARREIRO, 2012). Estresse oxidativo, Inflamação, toxicidade, infecção, alergia e efeitos irritantes da exposição podem ser tratados com glutationa, antioxidantes antifúngicos e agentes sequestrastes tais como carvão, argila e chlorella, probióticos e transpiração induzida (HOPE J 2013)
Quadro 1. Resumo dos principais fatores que afetam a memória
| Fatores Internos | Fatores Externos |
|---|---|
| Alterações cortisol | Bebida alcoólica |
| Alterações estrogênicas | Estresse psicológico |
| Disbiose intestinal | Consumo de gordura saturada e Trans |
| Estresse oxidativo | Hiperglicemia |
| Hipoglicemia | Medicamento |
| Níveis baixos de mastigação | Metais tóxicos |
| Níveis elevados de homocisteína | Sedentarismo |
| Privação do sono | Xenobióticos e excitotóxicos |
Modulação Nutricional
Novas descobertas da neurociência indicam que a dieta equilibrada representada pelo consumo de frutas, verduras e plantas a base de redução de consumo de carboidrato de baixo índice glicêmico, alto em gorduras essenciais, aminoácidos, vitaminas e minerais rica em compostos fitoquímicos e nutracêuticos portanto com propriedades antioxidantes, podem beneficiar a performance cognitiva. (JOSEPH J et al, 2010).A justificativa é que além de benefício vascular, mecanismos biológicos não vasculares (oxidativos e inflamatórios) podem estar associados ao declínio cognitivo (FRISARDI, 2010; OLIVEIRA, 2010)
É importante observar a interação medicamento – medicamento, medicamento – álcool, medicamento – alimento para que a biodisponibilidade dos nutrientes não seja comprometida. (CHAVES, M.B, et al, 2008, Mental Health Foudation, 2006, ZABLOCKA Slowinska k., 2013;HUN et al, 2013)
Acetil l carnitina. Têm apresentado funções neuroprotetoras, neuromoduladoras e neurotróficas (NALECZ, 2004; VIRMANI, 2004). Pode atrasar a progressão da doença de Alzheimer bem como ajudar a recuperar a memória do idoso, devido à maior sobrevivência do neurônio (WITTE, 2001).
Ácido elágico. É um composto fenólico presente em algumas fruitas tais como romã, framboesa, e nozes. O seu interesse tem sido associado à diminuição da ativação plaquetária atuando como importante fator antioxidante. (SHEERAN et al, 2005,2006)
Ácido ferúlico. Sua maior função está associada à neuroproteção, reduzindo o dano causado às membranas das células nervosas, aumentando a proliferação de alguns neurônios. (Rev Biotechnol. 2004).
Ácido docosahexaenoico (DHA). Inadequação de ácidos graxos essenciais é uma das deficiências nutricionais mais comuns na atualidade. Responsável pela fluidez da membrana neuronal, síntese e funções dos neurotransmissores cerebrais e integridade do sistema imunológico (YEHUDA et al.,2005; BOURRE, 2006). Entre os tipos de ômega 3, o ácido docosahexaenoico (DHA), localizado nas membranas dos centros de comunicação simpáticos, no córtex cerebral, nas mitocôndrias e nos foto receptores da retina do olho, vêm sendo amplamente estudado e associado a performance cognitiva. O DHA aumenta o suprimento de acetilcolina no cérebro revertendo danos no processo de aprendizagem. Alguns autores têm mencionado que problemas comportamentais em crianças e jovens, especificamente o TDHA, pode estar relacionado a uma deficiência de ômega 3. A explicação é que pode ser um erro genético que interfere em sua capacidade de metabolizar as gorduras cerebrais necessárias, por isso precisariam de uma quantidade muito maior do que os outros cérebros para funcionar normalmente (SOLFRIZZI, 1999; CARDOSO,2003, LIM et al 2005, BOUDRALT et al, 2009; FREITAS J et al ,2010, YAEL R et al, 2011; KANG JX et al; 2013).
Ácido lipóico. Associado a acetil l carnitina têm demonstrado reverter em parte o declínio da função da membrana mitocondrial, além de melhorar a memória e restaurar enzimas requeridas para a produção de energia mitocondrial, protegendo contra danos peroxidativos (LIU, 2002).
Alecrim (Rosmarinus officinalis L.) O alecrim tem sido bastante utilizado na indústria de alimentos e apreciado por suas propriedades: aromática, antioxidante, antimicrobiana e antitumoral. Nos extratos de alecrim podem ser encontrados três grupos de compostos fenólicos: diterpenos fenólicos, flavonóides e ácidos fenólicos. O ácido carnósico, o carnosol e o ácido rosmarínico são os principais compostos antioxidantes presentes nessa especiaria. (Genena, 2008; Rev.Nutr.2011).
Bacopa Monnieri(Brahmi). O extrato de bacopa é um tônico mental que contém triterpenóides e saponinas que aumentam a atividade antioxidante em todas as regiões do cérebro. (Singh & Dhawan, 1992; Chowdhuri et al, 2002; Paulose et al, 2007). A bacopa monnieri é muito estudada e indicada na medicina ayurvédica para melhorar o aprendizado e aumentar a consolidação da memória. Reforça os impulsos nervosos no cérebro, ajudando a reparar os neurônios danificados implicados no desenvolvimento das doenças neurodegenerativas. Inibe igualmente a atividade da acetilcolinesterase, protegendo assim os níveis de acetilcolina (Bhattacharya et al,